Passeios pelas Cidades Internas – parte 1

Fotos: Fernanda e Ramon durante o processo de criação das placas da coleção Cidades Internas, algumas delas já prontas na última foto. (Divulgação)

 

Fernanda Meireles está para Fortaleza como João do Rio está para o Rio de Janeiro ou Woody Allen para Nova York. Fanzines, cartões postais, música (com a banda  Alcalina), oficinas. Sempre com um projeto na manga, a arte-educadora semeia o amor à cidade e os encontros entre seus habitantes, criando memórias pra si e pra todos nós.
 

De partida para a França, onde, com o financiamento de um edital do Ministério da Cultura, estudará a experiência da Fanzinothèque de Poitiers, Fernanda se despede da sua Cidade Solar com uma novidade todos os dias. Já fez uma semana inteira de encontros no projeto Literatura de Lua, lançou a coleção de cartões de visita eróticos Kaminha Sutra com Vitor Batista e, nesta quinta, às 19h30, no Parente Snooker Bar, lança a coleção de plaquinhas de PVC Cidades Internas, em parceria com o desenhista e jornalista Ramon Cavalcante.

 

Em entrevista por e-mail (como dá pra perceber pela risada de milhões de caracteres que já é praticamente marca registrada), Fernanda conta um pouco sobre o projeto, suas impressões sobre a cidade e os planos pra agora e depois.

 

Quando foi que você e o Ramon começaram a pensar no Cidades Internas? Como se decidiram pelo tema?

 

Fernanda Meireles: Desde setembro de 2mil e 9 o Ramon e eu pensamos num jeito de lançar uma coisa juntos. O conheci pelo TR.E.M.A. e já acompanhava o trabalho no tempo que o jornal O Povo publicou HQs que prestavam e tenho o zine que ele lançou, chamado Percursos  (ele nem tem mais aerjknfgjaegbjear). Aí o mundo é ligeiro e viajei e voltei e nos encontramos e záz! Colocamos pra frente o projeto. A cidade é um tema constante pra mim e pra ele, aí já viu, né?

 

Além do Cidades Internas, com o Ramon, você também já fez parcerias com o Ayrton Pessoa Bob (Postais Supercordas) e com o Vitor Batista (Kaminha Sutra). Como é trabalhar coletivamente conceitos tão subjetivos e, de certa forma, particulares?

 

Fernanda: Fico morta de feliz por conseguir trabalhar criando coisa junto com eles. Primeiro porque são meus amigos, depois porque noto que artisticamente a gente cresce junto em paralelo e em tranversais, misturando linguagens. São três meninos que admiro por princípios, estilo de vida e, claro, pelo talento fora do comum.

 

O Bob foi o primeiro, a gente misturou em duas coleções de postais o que a gente gosta: Beatles, amor e sono. (Ou seja: ouvir música e tocar, namorar e dormir!). Aqui, ó: http://postaissupercordas.wordpress.com

 

O Vítor eu acompanho desde quando o 7Dayz era um zine (aí virou livro comtemplado por edital www.blogzdovitor.blogspot.com). A gente também já tinha feito a polêmica HQ “A Incrível História de Ana Cláudia e Alice” pra Coordenadoria de Diversidade Sexual da Prefeitura e foi muito divertido! (E nos sentimos úteis em fazer o que acreditamos). A coleção erótica Kaminha Sutra começou a ser pensada há quase 1 ano, e agora saiu, ufa! http://picasaweb.google.com.br/fernandaameireles/KaminhaSutra

 

Sobre os conceitos, é bacana reparar que todos se interligam – ou seja, não sou doida. wejfnwjenfjnwejfnjwaef

 

Quando você esteve na Holanda, no ano passado, organizou a exposição Inner Cities, com postais escritos em inglês, que foram parar nas mãos de gente do mundo todo. De que forma o Cidades Internas se remete a esse trabalho, além do nome traduzido?

 

Fernanda: O Inner Cities foi uma série de uns 40 postais com textos que nasceram lá, disso de estar com saudade, de estar numa cidade estranha que às vezes é linda e às vezes é estéril, de ter que fazer e desfazer malas e sentir cousas enquanto isso, de conhecer gente do mundo todo que já não tinha uma cidade pra-chamar-de-sua. Uns desterrados modernos que são conhecidos como cidadãos do mundo…

 

Ter passado um tempo fora influenciou o jeito como você olha pra Fortaleza agora?

 

Fernanda: Conhecer uma parte do Velho Mundo por motivo que não foi esse mesmo (fui pra encontrar meu amor e conhecer a Fanzinothèque de Poitiers), foi uma experiência muito estranha. A Europa não era o objetivo, era algo no meio do caminho (aesbfhawbehfbawlhf), daí fui sem ilusões e claramente de passagem. Isso desencadeou muitas descobertas, impress&o
tilde;es, boas e ruins. Eu era uma turista acidental até informada sobre muito de lá, mas ESTAR é diferente. E viajar pra mim ainda não é simples!

 

Sempre digo que Fortaleza é uma cidade nova, ainda, agora que a primeira geração que enxerga a cidade como sua mesmo está começando a crescer e trabalhar. Ainda é raro encontrar alguém que tem os 4 avós nascidos aqui. Todo mundo tem um interior pra onde voltar. Ou ainda, uma cidade maior pra ir. Ou veio de passagem e ficou. Daí, é uma cidade meio sem dono. À deriva, feito o Mara Hope. (Aaaaaaaaaaaaaaaaaa) Muito oposto às cidades européias, onde os imigrantes já estão é tomando tudo (de volta, talvez) pra si.

 

A sensação que eu tinha do quanto Fortaleza é um “work-in-progress” se acentuou. Meu amor por essa cidade acabada e inacabada também.

 

E essa sensação de já estar de partida de novo, te faz ver a cidade de um jeito diferente?

 

Fernanda: Sim. Tomei banho de chuva, comi baião, bebi água de côco, passamos um pedaço da madrugada sobre as pedras no calçadão da Praia de Iracema, vendo o mar. É quase como me despedir da minha namorada. (klaengjkçaenrgjnaerjgnaej)

 

Você considera que isso está presente nas plaquinhas do Cidades Internas?

 

Fernanda: Está tudo lá, tudo o que eu falei aqui e os desdobramentos disso. Ramon e eu colocamos mensagens – sinais, daí serem placas! – em cada signo, seja ele escrito ou desenhado. Eu podia escrever um livro sobre cada uma delas.

 

Quais são os planos pros próximos dias, semanas, meses, lá e aqui de novo? 🙂

 

Eles se enlaçam num futuro bem próximo!

 

Próximos dias: 27 de março, sábado, Zine-se de 8 anos no foyer do TJA. Meia hora antes eu falo dos Zines Yoyô e como a cena de zines (odeio esse nome cena, parece que é de mentira ekarjlgaergbjabej) se construiu de dez anos pra cá. Falo mostrando as fotos, vai ser manssa!

 

Domingo dia 28 vai ter um feirão com tudo que produzo, aqui em casa. É também meu bota-fora…

 

Planos para lá: Passar abril na Fanzinothèque de Poitiers, num intercâmbio/residência registrando tudo num diário de bordo. Namorar muito. Ir no London Zine Symposium dia 29 de maio. Expor em Poitiers, Amsterdam e Londres, enquanto tudo. Uma versão em inglês das placas com o Ramon vai na mala!

 

Planos pra cá: Transformar esse intercâmbio num relato e depois num livro, que é minha contrapartida ao Edital de Intercâmbio e Difusão do Ministério da Cultura daqui, que está bancando minhas passagens (só Fortaleza-Paris-Fortaleza) e hospedagem em Poitiers (o resto do dinheiro tem que vir da venda das coleções!)

 

Ah, e namorar muito também.

 

Leia amanhã a entrevista com o desenhista Ramon Cavalcante.

 

O lançamento da coleção Cidades Internas acontece amanhã, 25, às 19h30, no Parente Snooker Bar (rua Dom Jerônimo, 554. Otávio Bonfim). Cada plaquinha de PVC custará R$ 15 no evento e, depois, R$ 20. Vendas e outras informações: 9137.1585 (Ramon) e 8646.3534 (Fernanda).

 

Eles também estão no twitter: @cidadesolar e @ramoncavalcante.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s