Passeios pelas Cidades Internas – parte 2

Ramon_e_fernanda

Foto: Ramon Cavalcante e Fernanda Meireles, com o desenho de uma das plaquinhas da coleção Cidades Internas. (Divulgação)

A arte de Ramon Cavalcante tem como matéria prima suas andanças pela cidade. Fazendo jornalismo, com o grupo TR.E.M.A., ele já lançou o livro Cadeiras com Rodas, com relatos do cotidiano noturno dos terminais de ônibus fortalezenses, e o documentário O Conto Torto do Olho. Também já fez fanzine, quadrinhos, estudou Artes Plásticas no então CEFET-CE. 

Pra ele, tudo passa por Fortaleza, a cidade onde nasceu, se criou e vai criando obras bonitas pra fazer pensar, como as plaquinhas de PVC da coleção Cidades Internas, fruto da parceria com a arte-educadora e fanzineira Fernanda Meireles (leia a entrevista com ela aqui).

Em entrevista por e-mail, mas que também dava uma boa conversa presencial, Ramon fala sobre a vida na cidade, a proposta da coleção Cidades Internas e seus próximos planos.

Você faz parte do TREMA, grupo que já publicou até livro através de edital. De que forma essa experiência com a Fernanda se aproxima do trabalho que você fazia com os meninos e no que ela é diferente?

Ramon Cavalcante: Sim, fiz parte do TR.E.M.A. (Território de Expressão no Mundo Anônimo) que acabou com a publicação da revista/livro Cadeira com Rodas e do documentário O Conto Torto do Olho. O TR.E.M.A. era um grupo que trabalhava com jornalismo, buscando um olhar delicado sobre a cidade, mas era jornalismo. O Cidades Internas é um encontro de dois artistas, lançando um olhar sobre cidade, mas são coisas bem diferentes. Assim, as inquietações são as mesmas, os desejos também, mas a forma é outra, o que torna os trabalhos bem diferentes. Mas mesmo no TREMA nós tivemos várias interseções com a Fernanda, fosse dividindo uma mesa de bienal do livro, num zine-se ou mesmo num Literatura de Lua. Os desejos semelhantes aproximam as pessoas.

O que, da sua relação com a cidade, está presente nas plaquinhas do Cidades Internas?

Ramon: Eu nasci e me criei em Fortaleza, respiro e transpiro essa cidade todo dia, quer queira, quer não. A cidade me oprime, me inquieta, me cutuca e eu falo dela, sobre ela, seja no jornalismo, nos quadrinhos, na ilustração, no vídeo… Enfim. As minhas raízes são na cidade, minhas manifestações artísticas se nutrem dela.

Portanto, a minha relação com a cidade influencia em um relatório ou ofiício que eu tenha que escrever, na produção de imagens sobre a cidade então, nem se fala. É a própria cidade saindo de dentro de mim, através de uma caneta ou pincel, direto pro papel, pura e simples.

Como alguém que trabalha com quadrinhos e ilustração, de que forma você vê Fortaleza representada nesses meios? 

Ramon: A produção de quadrinhos em Fortaleza ainda é embrionária, mas mesmo assim, tem coisas sendo feitas sobre a cidade, meu quadrinho (que falo na última pergunta) é, basicamente, uma história sobre o cotidiano da cidade. Mas, fora um caso isolado ou outro, a produção de quadrinhos de Fortaleza ainda fala muito pouco sobre cidade… Na verdade, fala muito pouco de qualquer coisa.

Categoricamente eu não sou ilustrador, já fiz muitas ilustrações, muitas mesmo, mas não é a isso que eu me dedico. Quando você desenha é inevitável que acabe ilustrando muitas coisas, mas não é a minha sabe? Minhas imagens pedem sempre outras, uma sequência, não tenho a concisão de um ilustrador, nem a sua dedicação, a maioria dos meus desenhos pede o tempo, pede a passagem de tempo, não são caprichosos, não olhe muito tempo pra eles, passe para o próximo.

Tem algum artista específico que você considera especialmente relacionado com a cidade?

Ramon: Ah, tem muita gente boa pensando a cidade. Muita, o povo que mexe na rua mesmo, com arte pública, tem o grupo Acidum, que eu adoro, o próprio Coletivo Meio-Fio, Liquidificador sem Tampa, Coletivo Curto-Circuito, tem gente que nem tem nome, o povo do cinema, Alumbramento, Pedro Diógenes, Guto Parente. Fortaleza tá pegando fogo (e eu não tô falando do calor), tem muita gente produzindo e a cidade inquieta muita gente.

Depois do Cidades Internas, você já tem algum projeto aí engatilhado pros próximos meses?

Ramon: Eu estou terminando o meu primeiro livro de quadrinhos, chama-se Frases de Banheiro e é desenhado por mim e mais três pessoas: Jabson Rodrigues, Neudson Aquino e Carlos Campus. Vamos lançar ainda nesse semestre e, como falei antes, é um livro com histórias sobre a cidade, a vida das pessoas, como elas se interpenetram… Enfim. Logo, logo tá entrando no ar o site www.frasesdebanheiro.com.br

O lançamento da coleção Cidades Internas acontece hoje, 25, às 19h30, no Parente Snooker Bar (rua Dom Jerônimo, 554. Otávio Bonfim). Cada plaquinha de PVC custará R$ 15 no evento e, depois, R$ 20. Vendas e outras informações: 9137.1585 (Ramon) e 8646.3534 (Fernanda).

Eles também estão no twitter: @cidadesolar e @ramoncavalcante.

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