Pedro Bandeira: imaginação é tecnologia de ponta

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O doce Pedro Bandeira e seu bigode, indissociáveis no imaginário dos fãs. (Divulgação)

Dez entre dez jovens adultos que hoje lêem por gosto têm Pedro Bandeira entre suas memórias de infância. Quem nunca quis ser um dos Karas? Quem nunca torceu pra Isabel ficar com o Fernando, em A Marca de uma Lágrima? Quem nunca se divertiu com as sátiras bem humoradas de O Fantástico Mistério de Feiurinha?

Tive a oportunidade de conhecer Pedro Bandeira há muitos anos, em uma Bienal Internacional do Livro, aqui em Fortaleza. Ele autografou meu exemplar de A Marca de uma Lágrima e prometeu ler alguns dos meus primeiros contos, que lhe entreguei encadernados junto com uma cartinha. Pra vocês terem ideia do tempo que faz, a foto que tirei com ele ainda foi na minha velha câmera analógica! Mas Pedro já era moderno naquele tempo e, algumas semanas mais tarde, me surpreendeu com um e-mail carinhoso, dando sua opinião sobre os contos.

Pedro Bandeira volta à cidade neste ano para duas palestras no dia 17 de abril, na Bienal Internacional do Livro. Aproveitei a oportunidade para, por e-mail, puxar conversa com o escritor sobre os seus tempos de jornalista, o 6o livro dos Karas e as novas tecnologias.

Antes de se dedicar à literatura, você trabalhou com teatro e como jornalista. O que você levou dessas experiências para a sua atividade como escritor?
Pedro Bandeira: Sempre trabalhei produzindo textos, desde a adolescência. E isso, é claro, preparou-me para escrever qualquer coisa, não é? Quanto ao teatro… Não sei. Desde muito pequeno fui ator e só abandonei o profissionalismo pelo fato de esta profissão pagar muito mal. Mas, ainda hoje, volto a ser ator toda vez que dou conferências em palcos com plateias de até mais de mil professores.

Qual foi a matéria que você mais gostou de fazer, nos seus tempos de Última Hora?
Pedro: Isso foi há muito tempo. De lá saí por causa do golpe militar. Era um jovem jornalista, estudante de Ciências Sociais e ator profissional à noite. Como jovem repórter, não me lembro de ter feito qualquer matéria memorável. Logo em seguida, trabalhei em revistas de engenharia (sem entender nada do que fazia) e em uma editora de livros, esta sim uma experiência rica, onde pude fazer um jornal político chamado Jornal da Senzala, entrevistando grandes brasileiros como Plínio Marcos, Caio Prado Júnior e muitos outros. Foi nessa editora que, como editor-chefe e para meu orgulho, publiquei pela primeira vez livros de Marcos Rey e de Plínio Marcos.

Quando você percebeu que tinha vocação para escrever livros para o público infanto-juvenil?
Pedro: Pretendo perceber isto na semana que vem.

A Droga da Obediência, primeiro livro da série dos Karas, é de 1984. Desde então, a realidade dos jovens mudou bastante, mas os livros continuam fazendo sucesso, geração após geração. A que você atribui essa permanência?
Pedro: A realidade mudou? Progresso? Tecnologia? Violência? Drogas? Isso não interessa à minha Literatura. Nela eu trato das emoções humanas, e isso não muda nunca! Com Internet, com celulares, ou iPods, os adolescentes continuarão sentindo medo, esperança, paixão, raiva, ciúme, terão dúvidas, como sempre e para sempre.

Você já mencionou, em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que estava reescrevendo a 6a aventura dos Karas, porque percebeu que a primeira versão já estava desatualizada antes mesmo de ser publicada. A Internet e os avanços tecnológicos, tão presentes no cotidiano da juventude de hoje, dificultam escrever para ela?
Pedro: Está difícil, muito difícil. Meus personagens “vivem” numa época antes do computador pessoal, do celular, da Internet, dos e-mails. Certa vez redigi uma história que se baseava em tecnologia, e que iria chamar-se A droga virtual. Mas, antes de o livro ser impresso, ele  já tinha engolido pelo progresso das tecnologias. Assim, este livro foi para o lixo e de lá jamais sairá.

Como o autor deve lidar com esses elementos? É possível incluí-los na trama, sem que ela fique datada?
Pedro: No meu caso (não posso falar pelos outros), eu evito que as histórias tenham base em tecnologias, para que meu livro não fique datado. Veja você o caso dos grandes autores de ficção científica do século XX – praticamente todos os seus livros não fazem mais sentido; nenhum deles (nem Clarke, nem Asimov) foi sequer capaz de prever o computador pessoal (todos achavam que os computadores se tornariam monstros enormes, pois ninguém antecipou a invenção do ship), nem a Internet, nem o Google, nem sequer o celular! Por isso, é capaz de meus livros durarem bastante. Alguns até já se tornaram clássicos.

Você já mencionou em entrevistas que checa sempre seus e-mails e procura responder a todas as mensagens dos fãs. Já pensou em ampliar esse contato com os internautas em um blog, como fez José Saramago, por exemplo?
Pedro: Estamos na iminência da criação de um site especial, com tudo que isso tem direito. Será lançado em poucos meses.

E, já que falamos da 6a aventura dos Karas, antecipo aqui uma pergunta que com certeza vai ser feita durante a Bienal: já há uma data de lançamento definida para o livro?
Pedro: Como antecipar datas de um livro que ainda nem sei como será?

Pedro Bandeira estará na IX Bienal Internacional do Livro do Ceará em dois eventos, ambos no dia 17 de abril:

Encontro com o Escritor, das 16h30 às 17h45, no Salão O Quinze (Auditório Principal – Bloco D), com mediação do esritor Raymundo Netto.
 
Conversa com Pedro Bandeira (Brasil/SP), das 15h às 16h, na Arena Infantil O Menino Mágico (Bloco F Superior).

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