Ol’ Frankie

Looking at Frankie, one can only wonder how old exactly he is. Even his hometown’s only centenary citizen, Sheila, has fewer wrinkles on her face.

However, Frankie acts a lot younger than all the local teenagers. Whenever he’s in town, he rides his twenty-year-old Harley-Davidson and wears leather jackets under the merciless sun. A boy claims that he saw Frankie listening quite enthusiastically to an emocore album of questionable quality once, but Frankie swears over Ozzy Orboune’s grave that he’d never dare profane his own ears like that. It just won’t do to tell him that Ozzy Osbourne is very much alive – he’ll say that Ozzy is dead and that the fact that he’s now recording cover versions of The Beatles songs is a subtle indication that his agents found a substitute to keep cashing in after the original’s death, just like it happened to the late Paul McCartney a couple of decades ago.

Also, he got married at the age of fifty, when most men are begging with God to kill them at once, thus sparing them from their wives’ snores every night. Mrs. Frankie is a small, peroxide blonde who already shared the same roof with him years before he started saving money to buy his beloved motorcycle.

The fact that Frankie had decided to tie the knot after living half a century should have been enough to shock the entire city, if only it wasn’t too busy waiting on tenterhooks for Frankie’s wedding itself. In the invitations, the couple had asked the guests – who happened to be every single person in town at the moment – to attend the ceremony in their best bathing suits, and no one even frowned at that.

Frankie and his blonde got married in their swimming pool. Everyone noticed the blissful smile the priest wore throughout the rite, and the more malicious were sure it wasn’t because he was uniting two souls in love, but, rather, due to the fact that he wasn’t wearing much, aside from that grin and trunks.

Frankie had worked as a mechanic and played the banjo in his free time for as long as everyone could remember. After his wedding, though, he opened a lucrative business in Vegas. Now he performs approximately forty-five swimming pool weddings per month. The couples can choose between having a Triton or a mermaid for celebrant.

Written in 2006.

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Mariana Kuroyama desenhando linhas

Mariana e algumas de suas criações. (Mariana Kuroyama)

Já tinham me dito que você quase nem sente a agulha na pele, quando é a Mariana Kuroyama quem está te tatuando. Ela mesma diz que tem a mão leve, mas acho que é mais que isso: a leveza é seu jeito de ser.

Mariana é jornalista por formação, mas largou a vida de leads pra fazer arte. Cria tatuagens, roupas, pinturas, ilustrações e é fascinada pela natureza. Coloca em prática todo dia um pouco do tema da sua monografia, a permacultura.

Por e-mail, conversamos sobre esses temas e sobre a vida nas cidades onde ela mora ou já morou.

Pra começar, a pergunta de praxe: como você começou a tatuar e o que te atraiu nesse tipo de expressão artística?
Mariana Kuroyama: Então, fiz um trabalho sobre a tatuagem, a pichação e o graffite durante o período de faculdade. Ainda não tinha me tatuado, mas achava lindo. Estudei a fundo e quebrei certos paradigmas. Entendi  que a tatuagem não é uma expressão marginal, e sim uma arte, uma representação, um ritual de passagem em sociedades milenares, como a celta ou a japonesa. Isso me atraiu ainda mais. Anos depois fiz a minha primeira tattoo com o Dereka, ele já conhecia meu trabalho através de pinturas em roupas. Alguns amigos já tinham me dito para eu fazer desenhos de tattoos para eles. Uni uma coisa a outra e pedi pr’o Dereka me ensinar. Ele é um verdadeiro mestre, não só na arte da tatuagem, como sobre as coisas espirituais da vida. Ele e também o Júnior Animal.  Eles são geniais. Fiquei dois anos no studio do Dereka, o Freedom of Tattoo, onde conheci outros tatuadores muito bacanas, pessoas do bem que amam arte. A tattoo pra mim é uma forma de arte mais profunda… As pessoas geralmente pensam “ah, mas isso vai ficar pra vida inteira…” Ora, mas e a gente não morre? Morre o corpo… E a alma segue adiante. De qualquer forma, ter ou não uma tattoo é uma escolha muito pessoal que deve ser respeitada.

Você mesma tem algumas tattoos. Qual a história delas?
Mariana: O bracelete vermelho está localizado na articulação da intenção (de acordo com a matemática do calendário da paz) e é composto por corações. Representa minha intenção de amar incondicionalmente a vida, as pessoas, o próprio amor. Foi feita pelo Dereka. Os corações dos pés fazem parte de uma história antiga, já tinha o desenho guardado antes de aprender a tatuar. O passarinho, também no pé, fiz aproveitando uma flor que tinha no tornozelo. Estas duas fiz eu mesma, pra poder sentir como é fazer a tattoo em si mesmo. A da perna é um crop circle, foi feita pelo Tinico (Rosa) e representa minha crença na vida inteligente, no amor e na arte também em outros planetas.

Além de tatuagens, você também faz ilustrações e roupas. De que forma todas essas coisas estão relacionadas na sua vida?
Mariana: Vixe… Um amigo me emprestou um livro uma vez, que falava sobre a arte islâmica. Lá eles detalhavam como os artesãos trabalham com esmero em diferentes superfícies. Da maior mesquita à menor caixinha, tudo é repleto de uma arte meticulosa. Olhei para isso e pensei, “posso desenhar em qualquer superfície.” Na verdade, eu sempre desenhei, ilustrei papéis, provas, cadernos de colégio, etc. As roupas e as tattoos foram consequencia disso. As roupas aconteceram meio sem querer, me inscrevi no Projeto Palco por sugestão de um amigo e ganhei o concurso de novos talentos. Depois começei a pensar em uma moda mais original, atemporal, feita por encomenda e exclusiva. As tattoos, tu já sabes.

Você escolheu estudar, na faculdade, não algo relacionado diretamente à arte, mas a modos de vida: a permacultura. De que forma esse tema está presente na sua rotina?
Mariana: Então… A Permacultura está além de uma filosofia, é uma prática que engloba várias outras como a agrofloresta, reciclagem, compostagem, bioconstrução… Xi, vai longe. É uma quebra de paradigma, da competição para a cooperação (do homem para com o meio). E representa, pra mim, o uso da inteligência humana em busca de uma harmonia ideal. Morando no meio urbano, faço o que posso, em casa tenho uma minhocasa que composta o lixo orgânico produzido, e esse composto vai para as plantas. Planto alguns temperos. Me locomovo de bicicleta e transporte público. Só compro para mim aquilo que estou realmente precisando, não fico consumindo por consumir. E uso o meu trabalho para fazer o link entre pessoas que trabalham com isso. Em São Paulo doei, junto com uma amiga, uma pintura para um centro de permacultura urbana, a Casa Jaya. Acho fundamental atrelar a arte a estas causas. Outras coisas me afligem, coisas que não posso mudar sozinha, como o sistema de saneamento, por exemplo. Até quando vamos jogar dejetos no mar? Precisamos de uma mudança na criação da construção civil. Precisamos de muitas mudanças, já! E precisamos fazer isso juntos.

É possível levar uma vida sustentável, quando se vive em grandes cidades?
Mariana: Olha… Acho que as grandes cidades são como feridas na Terra. E precisam de agentes de cura dentro delas. Acho que é possível fazer por onde, tem que estar alerta, consciente. Estamos todos num mesmo barco, procurando crescer e aprender e muitas pessoas pensam nisso, outras agem, outras nem prestam atenção… Acham que é só marketing. Como eu disse na pergunta anterior, precisamos de muitas mudanças, e precisamos fazer isso juntos.

Por falar em grandes cidades, você já morou em Brasília, Fortaleza e está atualmente em São Paulo. De que maneira cada um desses lugares fez de você quem você é hoje? 
Mariana: Em Brasília eu tinha muito contato com a natureza, muito mesmo, amaaaaava ficar nas cachoeiras, nas florestas que meus pais me levavam, e também em frente ao meu prédio, era uma mini floresta. Isso é a minha lembrança mais nítida de amar a vida. Sempre vinha pra cá de férias, então também sentia a ligação forte com o mar. Morei no Rio também, quando era criança, e lá a natureza também era exuberante. Aqui foi onde passei mais tempo e nossa… aprendi bastante aqui com relação ao que eu quero ou não pra mim. E conheci pessoas maravilhosas que serão sempre minha família, e aprendi muito sobre tolerância, paciência, calma, amor ao próximo. São Paulo é outro ritmo, ainda está em fase de teste, hehehe, mas devo dizer que amo estar lá. Sem muitas explicações, vou vivendo, de acordo com o coração.

Qual delas você considera sua cidade natal?

Mariana: Nenhuma delas e todas, como eu disse pro orkut: minha cidade natal é a Terra.

Você se vê morando em um lugar pra sempre? Por quê?

Mariana: Sim, porque acho que precisamos de uma base, mas posso estar errada. Viajar é preciso, afinal.

Veja aos trabalhos dela no flickr. Mariana também está no twitter: @kuroyamaSun.