Berlin, 2011-?

Berliner snapshot (Débora Medeiros)

Berlin (Débora Medeiros)

So I finally got around to organizing all the pictures I took here in Berlin from 2011, when I spent two days in the city for a proficiency test at the university, to the Berlinale fever from the past weeks. It’s been a good couple of years.

My favorite snapshots are now on Flickr.

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Festival de Berlim: o cinema e a cidade

No Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), filmes do mundo inteiro trazem temas atuais às telonas e transformam o cotidiano da capital alemã

Domingo nos arredores do Berlinale Palast, sede do festival.

Domingo nos arredores do Berlinale Palast, sede do festival (Débora Medeiros)

Um bom filme, para mim, é aquele que permanece nos meus pensamentos muito tempo depois de os créditos deixarem a tela. Na Berlinale, festival de cinema cujo nome tem gênero feminino em alemão, vejo bons filmes todos os dias, que voltam comigo no trem para casa.

É meu segundo ano de festival. No fim do ano passado, já estava em contagem regressiva para a edição de 2013, marcada para os dias 7 a 17 de fevereiro. Um dos três grandes eventos de cinema do circuito europeu, juntamente com os Festivais de Veneza e de Cannes, a Berlinale é o único dos três voltado para um grande público. Ao longo de 10 dias, milhares de espectadores (em 2012, foram mais de 400 mil) percorrem inúmeras salas de cinema de Berlim, muitas delas donas de uma história que se entrelaça à história da sétima arte na cidade, para ver sua parcela dos filmes escolhidos em meio à extensa programação.

Ao todo, são 12 mostras diferentes. Entre as já tradicionais, estão  a competição de longas-metragens que competem pelo Urso de Ouro em diversas categorias; Berlinale Special, com trabalhos recentes de diretores proeminentes e filmes em homenagem a grandes mestres do cinema; a competição de curtas, que neste ano conta com 27 filmes de 20 países diferentes; Panorama, minha mostra favorita, que apresenta longas ficcionais, documentários e curtas dos quatro cantos do planeta; Forum, cujos filmes este ano tematizam períodos de reviravoltas ou transições; Forum Expanded, uma seleção de experimentos com a linguagem áudio-visual; Generation, com filmes para o público infanto-juvenil e júris compostos de crianças e adolescentes; e Culinary Cinema, que enfoca a relação com a gastronomia em diferentes culturas e épocas.

E não é só. Ainda há a retrospectiva, por exemplo, que neste ano enfoca clássicos produzidos ou influenciados pela geração da República de Weimar após 1933, o que inclui filmes como Victor e Victória (1933), Casablanca (1942) e Cabaret (1974). Já a mostra Perspektive Deustches Kino traz a nova safra do cinema alemão, enquanto a estreante Native promete uma jornada pelo cinema indígena, enfocando, em 2013, histórias de povos da Oceania, América do Norte e Ártico.

Por fim, Hommage exibe filmes da personalidade premiada com o Urso de Ouro pelo conjunto da obra. Em 2013, o homenageado é o documentarista Claude Lanzmann, que, em seu trabalho, se dedicou principalmente à memória do Holocausto. Seu documentário Shoah (1985), de nove horas de duração, integra a programação, divido em duas partes, e contém entrevistas com sobreviventes do Holocausto realizadas ao longo de nove anos.

Para além dos números um tanto avassaladores, é interessante observar o efeito do festival sobre a cidade. Em todos os lugares se vêem pôsteres divulgando os dias do evento. Além de profissionais e jornalistas da área, fãs do cinema desembarcam do mundo inteiro em Berlim, especialmente para o festival. Para quem mora aqui, vivenciar a Berlinale é como adentrar por algumas horas um universo paralelo, de tapetes vermelhos, filmes sensacionais até em muitos cinemas de bairro e papos interessantes na fila da bilheteria – para logo depois voltar a tocar a vida, rumo ao trabalho, à casa ou à universidade.

Os noticiários ficam povoados de estrelas de cinema. Uma pequena amostra: Matt Damon (Invictus) prestigiou a exibição de Promised Land, o novo longa de Gus Van Sant (Milk), no qual atua; Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso) compareceu à estréia do seu primeiro filme que não se passa na Sicília, The Best Offer (2013); Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela) divulgou seu primeiro longa como diretor, Don Jon’s Addiction (2013); Ethan Hawke e Julie Delpy deram entrevistas sobre Antes da Meia-Noite (2013), filme que encerra a trilogia iniciada por Antes do Amanhecer (1995) e Antes do Pôr-do-Sol (2004), na companhia do diretor Richard Linklater; e James Franco (127 Horas) veio para divulgar três novos filmes de uma vez.

Pela minha breve e incompleta lista de celebridades que vieram à Berlinale, já dá para se ter uma ideia do que deve estrear nas salas de cinema de todo o mundo este ano. E quanto à produção brasileira? Em comparação a 2012, esta edição da Berlinale traz menos filmes do Brasil. O artista Hélio Oitica é homenageado com um documentário que leva seu nome, dirigido pelo sobrinho Cesar Oiticica Filho, além de partes da vídeo-instalação Cosmococa – program in progress, do artista, em parceria com Neville D’Almeida, exibidas pela primeira vez fora do Brasil.

Na mostra Panorama, o longa Você Nunca Disse Eu Te Amo (2013), de Bruno Barreto (O Que é Isso, Companheiro?), tem colhido elogios, após a estréia no dia 9. Anteriormente divulgado com o título Flores Raras, o filme acompanha a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto).

Hoje à noite, descobriremos quem são os vencedores do Urso de Ouro deste ano. Há uma certa curiosidade para saber que efeito a presença do cineasta chinês Wong Kar-Wai (Um Beijo Roubado), que preside o júri da competição,  terá sobre os resultados. Amanhã, num dia de exibições a preços reduzidos, esta edição da Berlinale chega ao fim. E começa a contagem regressiva para 2014.

Matéria publicada originalmente na edição de 16 de fevereiro de 2013 do jornal O POVO, também disponível na versão online. E os resultados da premiação estão aqui.

Um novo começo

Já tive outros blogs, que acabaram por falta de atualizações. Não será o caso do Notas partilhadas, que vai acabar porque o Posterous em si vai acabar. É uma pena. Esse espaço me ensinou que manter um blog não é uma obrigação, mas uma oportunidade para partilhar textos escritos por diletantismo, num ritmo próprio, sem deadlines.

Ao longo de três anos, registrei nele momentos decisivos na minha vida: a primeira vinda para a Alemanha em 2010, minha formatura no curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFC, os preparativos para a partida, o processo de sentir-me em casa em Berlim. Também pude publicar boas entrevistas, pensar sobre meus temas de pesquisa, compartilhar citações dos livros favoritos.

Toda despedida é meio triste, mas esta, pelo menos, não é definitiva. Todo o conteúdo do Notas partilhadas já está neste novo blog na plataforma WordPress.

Obrigada a todos que me leram ao longo destes três anos. Espero reencontrá-los em breve nos próximos textos no Falando da vida!