The @I_amGermany experience

That's what my Twitter profile looked like for a week.

That’s how my Twitter profile looked like for a week.

You know when you’re at a bar or a restaurant, sitting with a group of friends in one of those long, wooden tables, and a bunch of people you don’t know take the free seats next to you? I had the luck of meeting many nice folks this way here in Germany. I guess it’s the combination of beer, good food and a friendly, casual atmosphere that encourages people to be more open  around those long tables and simply listen to each others’ stories, reach out to total strangers and try to connect.

I experienced that same feeling as the curator of the @I_amGermany account. In the beginning, it was more like going on a blind date: I was worried that my life wouldn’t be interesting enough to tweet  about it for a whole week, that it would just be awkward or that I would make a faux pas in front of more than 3.000 people. But then I realized something: this isn’t just a question of talking about your life, but also of listening to other peoples’ stories and answering their questions.

And that was how I got to meet great people and discover at least a little bit about their lives. We chatted about learning languages, music, media habits, academic life and simple quotidian things. It was great seeing all these new Twitter handles pop up in my “Interactions” page, with their puns, questions, anecdotes and tips.

I’m usually a bit weary of talking about myself all the time, but I love getting to know other peoples’ realities. That’s one of the reasons I became a journalist in the first place. Thank you to all the people that reached out to me this week, you’re amazing! I hope we can keep in touch somehow and, who knows, maybe even gather around a long, wooden table at a bar sometime!

Berlin, 2011-?

Berliner snapshot (Débora Medeiros)

Berlin (Débora Medeiros)

So I finally got around to organizing all the pictures I took here in Berlin from 2011, when I spent two days in the city for a proficiency test at the university, to the Berlinale fever from the past weeks. It’s been a good couple of years.

My favorite snapshots are now on Flickr.

Festival de Berlim: o cinema e a cidade

No Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), filmes do mundo inteiro trazem temas atuais às telonas e transformam o cotidiano da capital alemã

Domingo nos arredores do Berlinale Palast, sede do festival.

Domingo nos arredores do Berlinale Palast, sede do festival (Débora Medeiros)

Um bom filme, para mim, é aquele que permanece nos meus pensamentos muito tempo depois de os créditos deixarem a tela. Na Berlinale, festival de cinema cujo nome tem gênero feminino em alemão, vejo bons filmes todos os dias, que voltam comigo no trem para casa.

É meu segundo ano de festival. No fim do ano passado, já estava em contagem regressiva para a edição de 2013, marcada para os dias 7 a 17 de fevereiro. Um dos três grandes eventos de cinema do circuito europeu, juntamente com os Festivais de Veneza e de Cannes, a Berlinale é o único dos três voltado para um grande público. Ao longo de 10 dias, milhares de espectadores (em 2012, foram mais de 400 mil) percorrem inúmeras salas de cinema de Berlim, muitas delas donas de uma história que se entrelaça à história da sétima arte na cidade, para ver sua parcela dos filmes escolhidos em meio à extensa programação.

Ao todo, são 12 mostras diferentes. Entre as já tradicionais, estão  a competição de longas-metragens que competem pelo Urso de Ouro em diversas categorias; Berlinale Special, com trabalhos recentes de diretores proeminentes e filmes em homenagem a grandes mestres do cinema; a competição de curtas, que neste ano conta com 27 filmes de 20 países diferentes; Panorama, minha mostra favorita, que apresenta longas ficcionais, documentários e curtas dos quatro cantos do planeta; Forum, cujos filmes este ano tematizam períodos de reviravoltas ou transições; Forum Expanded, uma seleção de experimentos com a linguagem áudio-visual; Generation, com filmes para o público infanto-juvenil e júris compostos de crianças e adolescentes; e Culinary Cinema, que enfoca a relação com a gastronomia em diferentes culturas e épocas.

E não é só. Ainda há a retrospectiva, por exemplo, que neste ano enfoca clássicos produzidos ou influenciados pela geração da República de Weimar após 1933, o que inclui filmes como Victor e Victória (1933), Casablanca (1942) e Cabaret (1974). Já a mostra Perspektive Deustches Kino traz a nova safra do cinema alemão, enquanto a estreante Native promete uma jornada pelo cinema indígena, enfocando, em 2013, histórias de povos da Oceania, América do Norte e Ártico.

Por fim, Hommage exibe filmes da personalidade premiada com o Urso de Ouro pelo conjunto da obra. Em 2013, o homenageado é o documentarista Claude Lanzmann, que, em seu trabalho, se dedicou principalmente à memória do Holocausto. Seu documentário Shoah (1985), de nove horas de duração, integra a programação, divido em duas partes, e contém entrevistas com sobreviventes do Holocausto realizadas ao longo de nove anos.

Para além dos números um tanto avassaladores, é interessante observar o efeito do festival sobre a cidade. Em todos os lugares se vêem pôsteres divulgando os dias do evento. Além de profissionais e jornalistas da área, fãs do cinema desembarcam do mundo inteiro em Berlim, especialmente para o festival. Para quem mora aqui, vivenciar a Berlinale é como adentrar por algumas horas um universo paralelo, de tapetes vermelhos, filmes sensacionais até em muitos cinemas de bairro e papos interessantes na fila da bilheteria – para logo depois voltar a tocar a vida, rumo ao trabalho, à casa ou à universidade.

Os noticiários ficam povoados de estrelas de cinema. Uma pequena amostra: Matt Damon (Invictus) prestigiou a exibição de Promised Land, o novo longa de Gus Van Sant (Milk), no qual atua; Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso) compareceu à estréia do seu primeiro filme que não se passa na Sicília, The Best Offer (2013); Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela) divulgou seu primeiro longa como diretor, Don Jon’s Addiction (2013); Ethan Hawke e Julie Delpy deram entrevistas sobre Antes da Meia-Noite (2013), filme que encerra a trilogia iniciada por Antes do Amanhecer (1995) e Antes do Pôr-do-Sol (2004), na companhia do diretor Richard Linklater; e James Franco (127 Horas) veio para divulgar três novos filmes de uma vez.

Pela minha breve e incompleta lista de celebridades que vieram à Berlinale, já dá para se ter uma ideia do que deve estrear nas salas de cinema de todo o mundo este ano. E quanto à produção brasileira? Em comparação a 2012, esta edição da Berlinale traz menos filmes do Brasil. O artista Hélio Oitica é homenageado com um documentário que leva seu nome, dirigido pelo sobrinho Cesar Oiticica Filho, além de partes da vídeo-instalação Cosmococa – program in progress, do artista, em parceria com Neville D’Almeida, exibidas pela primeira vez fora do Brasil.

Na mostra Panorama, o longa Você Nunca Disse Eu Te Amo (2013), de Bruno Barreto (O Que é Isso, Companheiro?), tem colhido elogios, após a estréia no dia 9. Anteriormente divulgado com o título Flores Raras, o filme acompanha a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto).

Hoje à noite, descobriremos quem são os vencedores do Urso de Ouro deste ano. Há uma certa curiosidade para saber que efeito a presença do cineasta chinês Wong Kar-Wai (Um Beijo Roubado), que preside o júri da competição,  terá sobre os resultados. Amanhã, num dia de exibições a preços reduzidos, esta edição da Berlinale chega ao fim. E começa a contagem regressiva para 2014.

Matéria publicada originalmente na edição de 16 de fevereiro de 2013 do jornal O POVO, também disponível na versão online. E os resultados da premiação estão aqui.

Um novo começo

Já tive outros blogs, que acabaram por falta de atualizações. Não será o caso do Notas partilhadas, que vai acabar porque o Posterous em si vai acabar. É uma pena. Esse espaço me ensinou que manter um blog não é uma obrigação, mas uma oportunidade para partilhar textos escritos por diletantismo, num ritmo próprio, sem deadlines.

Ao longo de três anos, registrei nele momentos decisivos na minha vida: a primeira vinda para a Alemanha em 2010, minha formatura no curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFC, os preparativos para a partida, o processo de sentir-me em casa em Berlim. Também pude publicar boas entrevistas, pensar sobre meus temas de pesquisa, compartilhar citações dos livros favoritos.

Toda despedida é meio triste, mas esta, pelo menos, não é definitiva. Todo o conteúdo do Notas partilhadas já está neste novo blog na plataforma WordPress.

Obrigada a todos que me leram ao longo destes três anos. Espero reencontrá-los em breve nos próximos textos no Falando da vida!

Do cotidiano eternamente interrompido

Mural de cartões da exposição Nós éramos vizinhos (Débora Medeiros)

Nosso destino inicial, naquela manhã cinza de domingo, era o mercado de pulgas de Schöneberg, um dos meus bairros favoritos em Berlim. Porém, a chuva e o vento nos impeliram para o prédio da Prefeitura do bairro, logo em frente. E assim encontramos a exposição Wir waren Nachbarn (Nós éramos vizinhos).

Inaugurada em 2005 e instalada na Prefeitura em caráter permanente desde 2010, ela contém álbuns de mais de cem famílias judias que residiam em Schöneberg e no bairro vizinho Tempelhof antes da ascensão do nazismo na Alemanha. São histórias individuais que refletem o terror que foi se instalando no país entre 1933 e 1945, detalhando pequenos atos de exclusão e discriminação no dia-a-dia daquelas pessoas, os quais possibilitaram as consequências terríveis que estão nos livros de História: a deportação para campos de concentração e o exílio.

O que mais me impressionou na exposição foi o mural de cartões contendo os nomes e algumas informações básicas de 6.069 judeus deportados dos bairros de Schöneberg e Friedenau para guetos, campos de concentração ou campos de extermínio. É impossível descrever a sensação de estar diante dessa miríade de cartõezinhos, sabendo que muitos deles são o único traço que restou dos donos daqueles nomes escritos à mão.

Por mais que as centenas de filmes e livros já produzidos sobre a II Guerra Mundial e sobre o Holocausto possam dar a sensação de que o tema se esgotou, a verdade é que ele nunca vai se esgotar – e nem deve. Lembretes cotidianos como esta exposição encontrada por acaso, as chamadas Stolpersteine – pequenas pedras fixadas no calçamento que relembram vítimas do nazismo que moravam naquele endereço – e, mais recentemente, o Monumento aos Sinto e Rom Assassinados durante o Nacional-Socialismo na Europa inaugurado ao sul do Parlamento em outubro do ano passado, trazem à luz e à lembrança praticamente todos os dias novos fatos referentes às atrocidades cometidas no período, remetendo cada passante a um cotidiano para sempre interrompido em cada vida exterminada ou banida.

E, ao mesmo tempo em que tais marcos despertam uma melancolia profunda pelo que nunca mais foi retomado, eles também devem assegurar que nenhum outro cotidiano seja interrompido dessa maneira outra vez. As testemunhas do Holocausto estão morrendo pouco a pouco e logo só restarão estes lembretes para contar suas histórias.

Memórias musicais

As_cancoes

(Divulgação)
Como é que alguém que não gosta de música faz pra se lembrar das coisas? É o que indaga Queimado, um dos protagonistas do documentário As Canções (2011), de Eduardo Coutinho. Sua história é uma das mais bonitas entre as tecidas ao longo dos cerca de 90 minutos do documentário, que preencheu minha fria noite berlinense com o calor de melodias e memórias intimamente entrelaçadas.

Quando vi que o filme passaria por aqui, soube que tinha de ir assistir. Desde Edifício Master (2002), tenho uma certeza: os documentários de Eduardo Coutinho são a realização cinematográfica do sonho de todo jornalista que entrou nessa profissão para ouvir as histórias das pessoas e (re-)apresentá-las com toda a sensibilidade que elas merecem.